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Introdução
A internacionalização para o Paraguai continua atraindo empresas brasileiras que buscam competitividade industrial, eficiência tributária e expansão regional. No entanto, apesar das vantagens do país e de regimes como a Lei Maquila (com foco em industrialização para exportação) e a lógica operacional relacionada (quando a estrutura envolve fluxos de exportação/importação e controles aduaneiros específicos), a realidade é clara: muitas operações não chegam ao segundo ano.
E isso acontece por um motivo simples, ainda que desconfortável: na maioria dos casos, o problema não está no Paraguai, mas na forma como a empresa “desenha” a operação. Em outras palavras, quando a entrada é tratada como um atalho (e não como um projeto estruturado), o negócio até começa… porém não sustenta o ritmo, o volume e as exigências regulatórias do dia a dia.
Neste artigo, você vai entender por que o segundo ano vira o ponto de ruptura e, principalmente, como estruturar uma operação sustentável, integrada e segura, evitando riscos fiscais, aduaneiros, logísticos e reputacionais.
Por que tantas operações no Paraguai falham antes do segundo ano?
1) Internacionalização tratada como atalho e não como estratégia
O primeiro erro é também o mais comum: enxergar o Paraguai apenas como uma forma rápida de reduzir custos ou “melhorar a carga tributária”. Embora regimes como a Lei Maquila possam, sim, gerar eficiência, isso só acontece quando a operação nasce com base técnica e governança.
Quando a decisão é tomada apenas pela promessa de economia, a empresa tende a negligenciar variáveis que, na prática, são as que sustentam a operação:
Além disso, existe um ponto-chave: internacionalizar não é “abrir uma empresa fora”. Pelo contrário, internacionalizar é reorganizar parte da estrutura do negócio para operar em uma lógica binacional.
Portanto, se a empresa não redesenha processos, responsabilidades e controles, ela cria uma operação que “funciona no papel”, mas quebra no dia a dia.
Em outras palavras: começa rápido, mas desorganiza rápido.
2) Logística pensada depois (quando deveria ser o ponto de partida)
Em seguida, aparece um erro que parece pequeno, mas custa caro: a empresa decide estrutura societária, enquadramento, contratos, até layout de fábrica e só depois pergunta: “como essa carga vai circular?”
Esse atraso no desenho logístico normalmente gera:
E aqui entra um alerta importante para quem opera (ou pretende operar) com Lei Maquila e estruturas conectadas ao 6090: regimes especiais exigem coerência operacional e documental.
Ou seja, logística e compliance não são “departamentos”; são pilares do modelo. Se o desenho de rotas e processos aduaneiros nasce torto, todo o resto fica vulnerável — inclusive a previsibilidade financeira.
Logo, antes de pensar em abertura, contratação e organograma, a pergunta certa é:
“Quais fluxos físicos e documentais vão sustentar a operação, do primeiro ao centésimo embarque?”
3) Falta de integração entre Brasil e Paraguai (cadeia quebrada não escala)
Outro fator que derruba operações cedo é tratar Brasil e Paraguai como estruturas independentes. Na prática, elas deveriam funcionar como uma cadeia única, integrada em:
Quando não existe integração, o que acontece é previsível: as informações não fluem, os estoques se desequilibram, as decisões ficam lentas e os riscos aumentam.
Além disso, no contexto de Maquila e operações aduaneiras estruturadas, a integração é também uma proteção. Quanto mais consistente a cadeia, mais defensável ela é perante auditorias, questionamentos e revisões documentais.
Ou seja: integração não é “nice to have”. É pré-requisito para reduzir risco e ganhar velocidade.
4) Subestimação de riscos regulatórios e reputacionais (o barato vira caro)
O Paraguai tem, sim, um ambiente pró-negócios. No entanto, isso não significa ausência de regras e nem tolerância com operação frágil.
Quando uma empresa entra sem estrutura, ela pode ficar exposta a:
E aqui está o problema do “segundo ano”: no primeiro ano, muitas empresas sobrevivem com esforço e improviso. Porém, com o aumento de volume, surgem auditorias, revisões internas, exigências de clientes e pressão de margem. Nesse momento, os buracos aparecem e corrigir custa caro.
5) Crescimento sem estrutura logística e operacional (o segundo ano é o teste de estresse)
Por fim, há operações que até começam bem. O problema é que o “modelo inicial” foi pensado para funcionar com baixo volume. Então, quando as vendas crescem, ocorre colapso por:
O segundo ano costuma ser o ponto crítico porque é quando o negócio sai do modo “implantação” e entra no modo “rotina + escala”. Se a empresa não tem governança, integração e logística robusta, a operação vira uma máquina de exceções.
Portanto, o segundo ano não é “azar”. É um teste de maturidade.
Como não entrar nessa estatística – o que fazer diferente:
Pensar a logística desde o início (fluxo físico + fluxo documental)
Antes da constituição formal da operação, mapeie:
Além disso, trabalhe com cenário A/B: o que acontece se a fronteira travar? Se faltar veículo? Se houver inspeção? Operação robusta é a que tem resposta antes do problema.
Tratar o Paraguai como parte da cadeia (e não como satélite)
A operação precisa nascer conectada ao Brasil em:
Quando essa integração existe, você reduz custo invisível, ganha previsibilidade e melhora a capacidade de escalar.
Estruturar governança e compliance no desenho inicial
Governança é o que impede que a operação dependa de improviso. Por isso, defina desde o início:
Planejar a escala (não apenas o primeiro embarque)
Um modelo bom não é o que funciona no primeiro mês. É o que funciona no mês 18.
Por isso, desenhe processos para o “centésimo embarque”:
Conclusão
O Paraguai segue sendo uma oportunidade relevante para empresas brasileiras, especialmente quando regimes como a Lei Maquila e estruturas aduaneiras bem desenhadas são usados com estratégia, governança e logística integrada.
No entanto, quando a internacionalização é tratada como atalho, o segundo ano se torna o momento em que improvisos deixam de funcionar e a operação entra em risco.
A boa notícia é que essa estatística é evitável. Com um desenho correto de fluxos, compliance, integração Brasil–Paraguai e planejamento de escala, a internacionalização deixa de ser aposta e vira ativo de competitividade.
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